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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Instalação - Cildo Meireles

A arte da instalação teve origem no início da década de 60. Uma instalação é uma manifestação artística onde a obra é composta de elementos organizados em um ambiente. A disposição de elementos no espaço tem a intenção de criar uma relação com o espectador. Os elementos podem ser palavras, fotos, vídeos, objetos comuns. É uma obra de arte que só "existe" na hora da exposição, é montada na hora, e após isto é desmontada, sendo que de lembrança da mesma só ficam fotos e recordações.
Uma das possibilidades da instalação é provocar sensações: frio, calor, odores, som ou coisas que simplesmente chamem a atenção do público ao redor.
As instalações podem ser autobiográficas ou celebrar vidas alheias. Podem também caracterizar-se como intervenções em espaços arquitetônicos.
As instalações podem ser concebidas para um lugar específico, ou idealizadas para diferentes locais.
Durante os anos 80 e 90, os artistas começaram a misturar mídias e estilos dentro de uma mesma instalação. À primeira vista, parecem ser feitas de elementos que não se relacionam, mas o que lhes confere unidade é um tema central.
A instalação, na Contemporaneidade tornou-se mais complexa e multimidial, enfatizando a espetacularidade e a interatividade com o público. As combinações com várias linguagens como vídeos, filmes, esculturas, performances, computação gráfica e o universo virtual, fazem com que o público se surpreenda e participe da obra de forma mais ativa, pois ele é o objeto último da própria obra, sem a presença do qual a mesma não existiria em sua plenitude.

Missão / Missões (Como construir catedrais) é uma instalação criada pelo artista Cildo Meireles.

Um piso feito de 600 mil moedas de um centavo é ligado a um teto feito de 2 mil ossos de boi por uma coluna branca de 800 hóstias, que simbolicamente ligam o céu a terra. Essa obra se refere às missões fundadas pelos jesuítas na América do Sul entre 1610 e 1767 para converter os indígenas ao catolicismo. Os missionários buscavam resgatar os índios do canibalismo, convertendo-os ao cristianismo. Em troca, ofereciam a Eucaristia, consumo do corpo de Cristo.

A Cortina evoca a teatralidade barroca, o interior do tabernáculo em que é mantida a Eucaristia. A Igreja Católica é criticada por suas iniciativas de aculturação (adaptação de um indivíduo a uma cultura diferente) empreendidas da América e em outros continentes por religiosos.
Essa obra é uma representação do poder espiritual e do poder material, o divino feito de ossos, a terra inundada por moedas, e a coluna de hóstias ligando as duas extremidades.
Vídeo da obra Missão / Missões (Como construir catedrais) de Cildo Meireles, instalada no Blanton Museum of Art no Texas
"Marulho", obra de Cildo Meireles, é composta de um píer (construção que avança para o mar) de madeira. No chão, milhares de livros abertos em páginas com imagens de oceanos, entrelaçados ordenadamente, formam um mar onde se pode avançar caminhando pelo deck. Ao seguir adiante, ouve-se cada vez mais alto e claro a palavra água, falada em 80 línguas por crianças e adultos.
Babel, é outra instalação de Cildo Meireles. Uma torre de cinco metros de altura feita por mais de 900 aparelhos de rádio empilhados em círculo. Ao se aproximar da torre, pode-se distinguir o que cada um dos rádios está tocando. Música, notícias, conversa com os ouvintes. O caos começa a ganhar forma.
O título “Babel” reporta-se ao episódio bíblico da Torre de Babel, que teria sido,
segundo o mito, a causa primeira de todos os conflitos entre agrupamentos humanos.
Essa confusão também está presente na instalação Babel de Cildo
Meireles, pelo fato dos aparelhos de rádio, estarem, simultaneamente,
ligados e sintonizados em diferentes estações, emitindo sons de várias
programações em línguas diferentes, metaforicamente, revela a contradição
atual de que há uma crescente globalização da comunicação e da informação entre os povos.
A diferença é que não há um completo entendimento entre eles, pois nem o espaço de cada um é respeitado.


Vídeo das obras "Babel" e "Marulho" do artista brasileiro Cildo Meireles, instaladas no Museu da Vale, cidade de Vila Velha, estado do Espírito Santo, Brasil, entre 30/06 e 17/09/2006.


Trabalho Individual

Responder:
1) Você consegue estabelecer uma relação entre as obras Babel de Cildo Meireles e Torre de Babel de Pieter Brueghel? Qual?
2) Qual é a melhor obra na sua opinião? Por quê?

Trabalhos dos Alunos - Inserções em Circuitos Ideológicos

Trabalho em grupo:

Baseado na obra "Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola" do artista Cildo Meireles, escrever na garrafa de Coca-Cola uma mensagem que você gostaria de transmitir para a população. Apresentar oralmente o conceito para a turma.

Políticos são corruptos


Felicidade


Viva a vida com alegria


Não tome coca com menta



Preserve


Fotos dos alunos durante a aula






Cildo Meireles - Inserções em Circuitos Ideológicos

Cildo Meireles é um artista brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro em 1948.
No Brasil, Cildo Meireles refez a tradição do readymade de Duchamp com a sua série das Inserções em circuitos ideológicos, em 1970.
A operação consistia em retirar objetos de um sistema de circulação, interferir sobre eles e então inseri-los, novamente, no sistema. O projeto “Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola” consistia em gravar nas garrafas retornáveis de coca-cola informações, opiniões críticas, a fim de devolvê-las à circulação.
Cildo apoderou-se das garrafas vazias de coca-cola, as quais seriam, talvez, o símbolo do capitalismo americano de consumo. Nessas garrafas estampou então mensagens políticas, utilizando-se da mesma tinta branca com a qual se escrevem as informações normais do rótulo. Nesta etapa, as mensagens permaneciam mais ou menos despercebidas. Cildo reintroduziu as garrafas para o seu circuito, elas voltaram para a fábrica, onde foram lavadas e preenchidas novamente. Agora, graças ao fundo preto proporcionado pelo líquido, a mensagem será lida pelo próximo consumidor que, por sua vez, ao beber seu conteúdo, devolverá a garrafa ao distribuidor, que a encaminhará ao fabricante e assim sucessivamente.

Cildo escreveu nos rótulos das bebidas a frase “Yankees, go home!”. Em seguida, devolveu as garrafas de vidro para circulação. A palavra Yankees está relacionada com os Estados Unidos. Era originalmente remetida aos habitantes da Nova Inglaterra, localizada ao nordeste do país.  
Essa obra foi produzida em 1970, período em que o Brasil vivia uma ditadura militar, se não apoiada, pelo menos vista com tolerância pelo governo americano. Naquele momento, produzir arte numa garrafa de coca-cola era algo pertinente e cheio de significado.
Cildo Meireles usa o dinheiro, carimba as cédulas anonimamente com mensagens políticas e as devolve à circulação. É quase uma estratégia de guerrilha que Cildo nomeia de Inserções em circuitos ideológicos: Projeto cédula. Essa obra foi feita no período da ditadura militar.
Durante a ditadura militar, a censura aos canais de informação e à produção cultural foi intensa, tudo era acompanhado muito de perto pelos censores do governo. O objetivo principal era passar à população a idéia de que o país se encontrava na mais perfeita ordem, os jornais foram calados, obrigados a publicarem desde poesias até receitas no lugar das verdadeiras atrocidades pelas quais o país passava.
Vladimir Herzog era jornalista, diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo, aos 38 anos foi encontrado morto, supostamente enforcado, nas dependências do 2ª Exército, em São Paulo, em 25 de outubro de 1975. No dia seguinte à morte, o comando do Departamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão de repressão do exército brasileiro, divulgou nota oficial informando que Herzog havia cometido suicídio na cela em que estava preso.
A versão oficial da morte foi rejeitada pelos movimentos sociais de resistência à ditadura militar. Três anos depois, no dia 27 de outubro de 1978, o processo movido pela família do jornalista revelou a verdade sobre a morte de Herzog. A União foi responsabilizada pelas torturas e pela morte do jornalista. Foi o primeiro processo vitorioso movido por familiares de uma vítima do regime militar contra o Estado.

Cildo Meireles utilizou as cédulas de dinheiro como uma maneira de confrontar com tudo aquilo que estava acontecendo.